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Sáb, 04 de Setembro de 2010 00:34

Quando foi anunciada uma continuação de Final Fantasy Tactics para o Game Boy Advance, muitos fãs do jogo original do Playstation ficaram entusiasmados com a notícia, mas alguns se decepcionaram com um jogo que não seguiu o contexto épico do primeiro game e sim uma história infantil aos moldes do publico alvo principal do GBA.

Como de costume em qualquer Final Fantasy, FF Tactics Advance não lembra em nada o seu antecesor, o personagem principal se parece com Ramza e o país do jogo se chama Ivalice, mas o enredo antes baseado em um mundo medieval com igrejas corruptas, inquisidores e conspirações na realeza foi trocado por uma história mágica onde crianças vão parar em um mundo de fantasia e tem amigos meio humanos e meio animais.

Apesar disso o enredo de FFTA é primoroso, tem personagens cativantes e interessantes como é de praxe em qualquer FF. E apesar do contexto aparentemente clichê, o enredo consegue se destacar por ilustrar uma história infantil, mas com personagens que vivem conseqüências, tristezas e escolhas bem humanas e cruéis... Tudo gira em torno da luta de Marche que quer voltar para seu mundo. e para isso ele precisa confrontar seus amigos que querem viver em um mundo de fantasia para escapar das dificuldades do mundo real.

Jogabilidade

Obviamente a jogabilidade segue todo o contexto do primeiro FFT para Playstation. Cada personagem de seu grupo (clã) pode mudar de profissão e aprender diversas habilidades diferentes em cada uma delas. Na hora dos combates você escolhe os companheiros que quer em seu time de ataque, e em cada turno um personagem pode se movimentar e atacar uma vez.

A grande novidade aqui são as leis, em cada local existem ações proibidas e outras que são recompensadas com JP (Judge Points - pontos necessários para envocar poderosos monstros ou fazer combos.) Caso você cometa uma ação proibida receberá um cartão amarelo. Caso você mate um inimigo com uma ação proibida ou ganhe muitos cartões amarelos você recebe um vermelho e é expulso da batalha tendo que ser resgatado na prisão. Elas incentivam você a fazer cada unidade de seu clã ter habilidades bem distintas e não depender muito da força exclusiva de poucos personagens.

Já o sistema de jobs e habilidades estão bem mais dinâmicos e práticos. As profissões são bem equilibradas e desta vez cada raça tem um grupo diferente de profissões iniciais e habilitáveis.

Agora as habilidades são aprendidas de um modo similar ao de FFIX, onde os equipamentos (geralmente armas) permitem o uso de uma habilidade, e ganhando AP suficiente (em uma quantidade fixa ao completar com sucesso cada missão) você aprende tal habilidade e pode usá-la sem a necessidade de estar com tal equipamento. Sem dúvida algo bem mais inteligente do que espancar os membros do seu próprio grupo para conseguir AP, como era rotina no FFT do Playstation.

Porém nem tudo é evolução. Uma novidade que não caiu bem foi o sistema de missões onde seu clã se inscreve para completar missões por Ivalice em troca de recompensas e reconhecimento. De inicio ele é uma proposta interessante, mas no fim mais prejudicou do que melhorou a jogabilidade do game! Isso porque a maior parte das missões do game está fácil demais... Qual é a lógica de um game de estratégia sem muita dificuldade? O game não está exageradamente fácil e existem sim missões difíceis, porem é muito frustrante você pegar uma tonelada de missões, procurando a que dá continuidade ao enredo e saber que você vai perder tempo e paciência em muitas batalhas facílimas e sem graça. Qual é a diferença entre pegar uma missão onde você persegue um ladrão de galinhas (sim existe essa missão) e outra onde você está atrás de um assassino se ambas resultam em apenas uma batalha fácil e ordinária?

Falando em emoção, não espere uma trilha sonora primorosa e emocionante: Agora você vai sentir na pele o quanto o mestre Nobuo faz falta!... As musicas em geral são chatas, repetitivas e infantis. A falta de combates realmente difíceis em uma maior freqüência e a ausência de uma trilha sonora que de animo ao jogador enterram de vez o clima de tensão que se tinha no jogo original acabando com muita da diversão e do “replay value” desta versão. Ao menos os gráficos estão impecáveis e muito bem feitos se considerarmos a resolução do GBA.

Vale ressaltar uma novidade interessante e muito divertida que é poder jogar com o clã que você montou contra o clã de um amigo conectando os Gameboys. Você também pode trocar itens, membros de clã e até cumprir missões juntos!

É uma pena mas...

FF Tactics Advance não veio para fazer da série “Tactics” algo marcante. E sim para ser mais um game acessível aos principais usuários do Gameboy Advance: O público infanto-juvenil. Isso explica a mudança brusca na temática, trilha sonora e jogabilidade se compararmos com o primeiro FFT do Playstation.
De todo modo, qualquer bom fã já sabe que comparar diferentes games da série FF é ilógico, afinal cada game busca uma temática diferente e com a série “Tactics” não foi diferente. Mas o problema é que diferente de muitos games da série FF e também do primeiro FFT... FFTA não irá nos marcar!!!

Por fim fazendo um resumo objetivo: FFTA é um game bom com altos e baixos, que pode te entreter bastante e em algumas vezes pode ser também um grande pé no saco. Só esperamos que a Square-Enix contrate compositores melhores, pois nunca um game da série FF decaiu tanto nesse quesito...