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Sex, 03 de Setembro de 2010 14:14

Em 1994 é lançado Final Fantasy VI, conhecido como Final Fantasy III no ocidente, e o mundo dos RPGs fica dividido em "Antes de Final Fantasy VI" e "Depois de Final Fantasy VI".
Final Fantasy VI foi um projeto ambicioso, afinal, foi a consolidação de um gênero que "Antes de Final Fantasy VI" era jogado apenas por sortudos fãs da série e alguns curiosos que viam o jogo na prateleira da locadora e sem muitas escolhas, decidiam alugar, descobrindo assim, um novo mundo dentro daquele cartucho.

Final Fantasy VI é perfeito em seu contexto. Foi o primeiro RPG a abordar temas polêmicos como o suicídio e a gravidez na adolecencia. E foi absolutamente perfeito ao criar uma história cheia de emoção e cenas realmente tocantes. O elenco de personagens é outro ponto soberbo do jogo, todos tem seu carisma pessoal e a maioria deles são extremamente profundos e muito bem caracterisados. Eles tem suas inseguranças retratadas, seus traumas, seus sonhos e suas peculiaridades bem humanas.... A Square buscou criar personagens que não se aliam à clichês para entreter o jogador, mas sim usam de reações bem humanas frente as tragédias e alegrias que eles passam alem do carisma próprio que cada um devido a suas ricas personalidades. Graças a isso você consegue encarnar os personagens e presenciar com eles as cenas que entram fácil no ranking mais emocionantes de toda a série: A tristeza de Cyan ao ver todo seu reino morrendo e ao ver sua esposa e filhos mortos; As inseguranças de Terra que nunca teve a oportunidade de ser feliz e se pergunta se conseguirá isso um dia; A virtuosidade de Sabin que abandonou a coroa e seu reino para ser feliz, e mais tarde ri ao estar a frente de um mundo aos cacos; E, não podia faltar, Kefka, o vilão histérico, genocida e insano que consegue ser tão cômico quanto cruel... Esses são apenas alguns exemplos de alguns personagens marcantes do game, tendo ainda muitos outros. FFVI tem um elenco tão completo que o game basicamente não tem protagonista, a história não gira em torno de um protagonista ou um casal como em FFVII e FFVIII, mas sim de todo o grupo e tudo que os motiva a seguir em frente...

Em FFVI você encarna as personagens, ri, se emociona, sente raiva, tristeza, fica feliz juntos a eles. É difícil imaginar como "sprites animados" podem fazer isso com os jogadores. Parece que todos os envolvidos no projeto deste game estavam inspiradíssimos, mas isso não é novidade pra quem já era fã da série antes da desta sexta versão. Porém, desta vez existia uma ambição de fazer o genêro se tornar popular fora do Japão também e não apenas fazer um ótimo RPG, mas sim o RPG dos RPGs, aquele que colocaria o gênero no mainstream ocidental. E como uma jogada de mestre, a Squaresoft acertou em cheio, FFVI é um jogo perfeito e fez o gênero se popularizar mais no ocidente.

Ele também após a metade do jogo perde toda a linearidade, fazendo com que você possa decidir o que irá fazer e buscar primeiro tendo diversas opções. O que o torna ainda mais viciante.

Gameplay

Até hoje, um dos mais simples e criativo de todos. Para que se aprenda uma nova magia basta apenas que se equipe uma das 27 invocações, que são denominadas Esper no jogo, e ir ganhando Ability Points a cada batalha vencida. Por exemplo: você equipa o Esper Ragnarok para aprender a magia Ultima. A velocidade de aprendizado dela é 1x sendo que você tem que chegar a 100% para conseguir aprender a magia, então você precisa ganhar 100 Ability Points. Caso você equipe o Esper Ifrit para aprender a magia Fire, a velocidade de aprendizado será de 10x, ou seja, cada Abilit Point será multiplicado por 10 e você terá que ganhar apenas 10 Abilit Points para aprender a magia. Simples não?

Ainda tem os RELICS que são equipamentos que dão status especiais às suas personagens.
O game disponibiliza 14 personagens que podem ser usados para jogar (levando em conta que 3 são opcionais), sendo que você pode levar 4 no seu grupo, e cada um deles possuir uma profissão fixa e um comando diferente. Por exemplo: Sabin é um Monk e possui o comando Blitz que permite entrar com um comando para que um golpe seja executado; Temos o Edgar que é um Machinist e possui o comando Tools que permite usar armas; Temos Locke que é um Thief e possui o comando Steal que permite roubar items dos inimigos; e muitos outros personagens com muitos outros comandos. Além disso, foi nesse Final Fantasy que surgiu o conceito de Limit Breaker, é o Desesperate Atack, um movimento especial que seu personagem tem 20% de chances de desferir no lugar de um Atack normal, caso esteja com o HP bem baixo.


Gráficos

Em 1994 não havia nada que chegasse aos pés de FFVI. Efeitos de transparência e Mode-7 nunca antes vistos em um sistema de 16-bits, cenários lindos e detalhados, cidades e dungeons muito bem feitas, um mundo enorme, personagens bem elaborados. Quase todas as magias possuem belíssimos efeitos assim como as Invocações.

Na era 16-bits Final Fantasy VI foi um dos jogos mais bonitos ao lado de Super Mario RPG e Chrono Trigger. Hoje em dia comparado aos sistemas atuais, é óbvio que muita gente possa querer criticar, mas devemos lembrar que esse jogo foi feito em 1994 (11 anos atrás) e os gráficos ainda hoje são considerados belos.

Trilha Sonora

A trilha sonora é algo a parte. Até hoje é considerada a melhor trilha sonora já composta para um jogo. Mesmo com a baixa capacidade do Snes em produzir sons, em comparação aos sistemas atuais, posso afirmar com toda a certeza que as músicas nesse jogo são obras-primas e, que combinam perfeitamente com o que está acontecendo no jogo. Nobuo Uematsu estava mesmo inspirado nessa época, a prova disso foi o lançamento dos CDs com versões em piano, orquestra, além é claro, da trilha sonora original e dois volumes especiais com as músicas das personagens principais de FFVI. A Filarmônica de Tóquio fez um concerto e incluiu uma lindissima versão de 23 minutos da Opera House com tenores e sopranos reais interpretando a música. Não importa o quanto eu diga, só ouvindo mesmo para saber a grandiosidade das músicas de FFVI.


Uma época que não volta...

FFVI é um jogo divertido, viciante e muito emocionante. Ele é uma obra prima da Square e é um dos melhores se não o melhor game da Square até hoje. FFVI mostra uma época em que os games não sofriam influencia dos animes e das preferências da juventude, e é a prova que na verdade os RPGs não precisam necessariamente disso pra serem impecáveis do inicio ao fim.

Hoje FFVI é ofuscado pelo tempo e outros games da série que buscaram uma cultura mais ocidental. Nada contra, afinal alguns desses FFs com características ocidentais são sim tão bons quanto o VI é. O problema é o rumo que tudo levou... Hoje é cada vez mais comum ver elementos como J-Pop e J-Rock nos games de FF, além de outros elementos inseridos apenas para ajudar a série a ser mais “POP”. Parece que com isso, tanto a Square-Enix quanto os jogadores esquecem um pouco que não é necessário nada disso para um game ser bom e emocionante, e era isso que deveria vir em primeiro lugar..